Seguro para Drones: Mercado, Desafios e Produtos

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Em 1946, a revista americana Popular Science afirmou que: “Drones, como são chamados os aviões rádio-controlados, têm muitas potencialidades, civis e militares.” Mais de meio século se passou e essa conclusão já foi mais do que consolidada e o setor capta investimentos milionários em variadas áreas de atuação.

Apesar de seus benefícios para usos civis serem inegáveis, o histórico e herança militar dos drones, somado a capacidade de vigilância, trazem consigo uma bagagem de cautelas para setores de negócios paralelos à tecnologia e as seguradoras são parte disso. Como estamos tratando de riscos que podem representar perdas monetárias envolvendo as operações com RPAs, é importante assegurar que estes riscos sejam amenizados, pois um mecanismo de seguros tem o poder de auxílio na garantia do funcionamento da economia, potencializando as relações produtivas e resguardando bens e pessoas.

A legislação brasileira, através do Decreto-Lei 73/66 que regulamenta o Sistema Nacional de Seguros Privados, em seu artigo 20 aborda acerca dos seguros obrigatórios, e entre eles está o Seguro RETA  para Aeronaves. É um seguro de danos pessoais causados a passageiros e tripulantes de aeronaves comerciais ou de uso privado e Responsabilidade Civil do transporte aeronáutico (bens e pessoas no solo), cuja importância segurada é determinada em função do porte da aeronave. Conforme artigo 112 do presente Decreto-Lei, as multas para não contratação dos seguros obrigatórios podem chegar a 10% do valor do interesse segurável. No caso dos drones, a Agência Nacional de Aviação (ANAC), os classificam como aeronaves remotamente pilotadas e no Brasil há três possibilidades de operar esses equipamentos:

1. Se a operação do equipamento for enquadrada na regulamentação que trata do aeromodelismo.

2. Se a operação do equipamento for enquadrada na regulamentação que trata de operações experimentais.

3. Se a operação do equipamento não for recreativa e se tratar de operações não-experimentais.

Para este último caso, o mercado aguarda a publicação das normas para vigor e consequente regularização das atividades comerciais com RPAs no país. A ANAC colocou em audiência pública uma proposta de regulamento sobre o assunto em 2015, no qual seu teor aborda sobre a obrigatoriedade da contratação do Seguro de Responsabilidade Civil. Com o aquecimento do mercado e as perspectivas legais, este novo segmento surgiu para as Seguradoras, trazendo grandes desafios em relação às problemáticas do setor, cujos estudos abordam entre outros, as situações:

Formação de pilotos
Problemas como a necessidade de conscientização de usuários e a falta de preparo em muitos casos, como um sistema de formação e licenciamento para pilotos

Desigualdades na implementação da tecnologia
Com a alta crescente do mercado e a facilidade em acesso de usuários, desnivelamentos podem ocorrer entre potencial tecnológico dos fabricantes, capacitação dos usuários e a maneira com a qual os órgãos reguladores vai lidar com isso

Infração de Privacidade
Um dos desafios mais comentados quanto aos drones sem dúvida é o da violação da privacidade. Levantamento de riscos para essas violações são de suma importância para modelação do produto de seguros e suas coberturas

Riscos Cibernéticos
Estudos indicam riscos reais para ataques cibernéticos, apontando historicamente acontecimentos relacionados já ocorridos e os danos que podem causar em diferentes cenários e escalas de ataques

As respostas para as implicações e suas ferramentas para controle serão viáveis através de uma regulamentação eficaz do setor, que também é um fator decisivo para a segurança das Seguradoras em qualquer tecnologia emergente. A abordagem quanto às regras e fiscalizações abrirão caminhos confiáveis para estas lançarem seus produtos no Brasil.

A Seguradora Mapfre, que é a principal multinacional de seguros da América Latina e está entre as 10 principais seguradoras da Europa, já comercializa na Espanha o Seguro de Responsabilidade Civil, que é voltado para empresas de inspeções, fotogrametria, agricultura, transporte, publicidade, Salvamento e qualquer outra atividade comercial. Para aeronaves com menos de 20  Kg, o limite do sinistro é de 300.000 euros, e para aeronaves acima de 20 Kg, o limite aumenta para aproximadamente 960.000 euros

No Brasil, a Mapfre prepara duas linhas de seguros, conforme informação confirmada com o Diretor Carlos E.M. Polizio: Seguro de Responsabilidade Civil e posteriormente o Seguro para Risco de Danos (Casco). Para responsabilidade Civil, o limite máximo de indenização será de aproximadamente R$225.000,00 e cobrirá danos causados à terceiros. A estimativa de custos para este seguro está na média anual de R$700,00 à R$1000,00 para aeronaves de pequeno porte (abaixo de 25 Kg). Para contratação da apólice, os dados necessários serão os do proprietário/operador, breve descrição do tipo de uso, dados do equipamento e número do registro da Anatel.

Já para o Seguro do Casco, o custo terá variação conforme valor do equipamento e análise de risco caso a caso, que será realizado pela seguradora. Para contratação da apólice, serão necessários dados do piloto, histórico de treinamentos, valor do equipamento (com comprovação, já que não existe tabela de referência), registro da Anatel, descrição ampla do uso do equipamento, entre outras.

O interesse e procura por seguros relacionados a drones mantém-se em constante crescente e mesmo para Seguros não obrigatórios, como no caso dos Seguros de Danos (Casco), notam-se manifestações expressivas de interesse e pré disposição em contratação. É considerável o fluxo de relatos de usuários que tentam inserir o equipamento em apólices de outros segmentos na tentativa de proteger a aeronave contra furtos, por exemplo. De um modo geral, há em alguns casos o sucesso nessas inserções, no entanto é um risco de insatisfação nos alcances das coberturas dos sinistros ao não optar por um modelo de produto ideal, com análises específicas para a tecnologia e suas aplicações.

A elevada espera e aceitação dos seguros para drones no mercado pode estar relacionada ao sucesso da tecnologia emergente, com usuários conscientes do potencial de retorno para uso comercial e que valorizam o capital investido em um equipamento super estimado. Além disso, índices relacionados à segurança no país, custos de peças de reposição e mão de obra para manutenção, também são fatores impulsionadores.

Esses usuários atraídos pelos benefícios do seguro, e que de forma expressiva apresentam tendências à efetivação da contratação, podem representar um contraste positivo deste segmento com o cenário atual, uma vez que o perfil do brasileiro, de modo geral, é pouco propenso à contratação de seguros preventivos. Essa tendência, de um usuário preocupado em segurar o seu equipamento, pode levar ao bom desenvolvimento do mercado.

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Adriana Guedini

Adriana Guedini é graduada em Administração de Empresas, pós-graduanda em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e com Certificação Profissional ANBIMA - Série 10 (CPA-10) para atuação em Mercado Financeiro e de Investimentos. Sua trajetória profissional é pautada por um histórico empreendedor e de destaque em multinacionais e empresas de grande porte nacionais. Nestas, atuou nas áreas de Finanças, Comercial e Recursos Humanos, adquirindo experiência e know-how em inovação e gestão de negócios. Aqui no IntoDrones tem o objetivo de produzir e compartilhar conteúdos sobre o mercado de drones e de áreas relacionadas para conscientização, estímulo e conhecimento geral, as quais fomentam o desenvolvimento dos setores.
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Comentários

  • ROBISON BARBOSA LEME

    Parabéns Adriana Guedini pelo profissionalismo, sem duvida um texto em que agrega e constrói uma visão mais estruturada sobre o assunto, e que vem se destacando ultimamente em uma velocidade imensa.

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